O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou, na quarta-feira (29), o policial militar Neilton Silva do Nascimento, de 27 anos, por feminicídio e tentativa de feminicídio, após a morte de Andreza Fernanda Félix Rocha, de 30, e o ferimento de outra mulher, de 21, dentro de um motel no Bairro Messejana, em Fortaleza, no dia 16 de julho. O agente foi preso e teve a prisão preventiva decretada.
Segundo a denúncia, Neilton contratou uma travesti e outra profissional do sexo para um programa. A travesti acertou o serviço e permaneceu no quarto. Em seguida, a outra profissional chegou acompanhada de Andreza, que teria intermediado a negociação. As duas não foram informadas da dupla contratação. Ao perceber a presença da travesti, a recém-chegada recusou-se a trabalhar em conjunto, e Andreza exigiu que o policial pagasse o valor do transporte para chegar ao local.
De acordo com o MP, o militar, aproveitando-se da vulnerabilidade das vítimas, realizou um Pix agendado de R$ 50 para enganá-las e evitar o pagamento. Diante da recusa de Andreza em aceitar a forma de pagamento, iniciou-se uma discussão. A denúncia relata que o acusado buscou uma pistola calibre .40 que estava próxima ao telefone e efetuou diversos disparos, atingindo as duas. Andreza foi baleada três vezes e morreu no local; a outra mulher, com identidade preservada, sofreu ferimentos na mão, no braço e na perna.
Durante os disparos, um pneu do carro do policial foi atingido. Ele foi detido quando tentava trocá-lo para fugir. O soldado é da ativa, mas estava afastado do serviço operacional por responder a um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). Para o Ministério Público, o crime foi cometido por razões da condição de sexo feminino, com menosprezo ou discriminação, e o réu já responde a outro delito com violência e grave ameaça contra mulher.
O MP requereu que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri por feminicídio consumado e tentativa de feminicídio, com as qualificadoras de motivo fútil e de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Também pediu a perda do cargo na Polícia Militar, por ter sido usada arma da corporação, e o pagamento de indenizações por danos morais às vítimas e familiares. Em nota, o órgão afirmou: “A conduta criminosa do réu é justamente o contrário do que se espera de um agente de segurança reformado, que deveria velar pelo cumprimento da lei e ser exemplo entre seus pares e uma referência moral na sociedade”.
Neilton está recolhido no Presídio Militar. A defesa solicitou a instauração de incidente de insanidade mental, alegando doença grave. O MP informou que o pedido não foi acompanhado da documentação necessária e deu prazo de 15 dias para a apresentação dos documentos. A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou procedimento disciplinar para apurar o caso na esfera administrativa.
Fonte: G1
Source: G1

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