Cílios luminosos e seres de vidro: expedição encerrada em Fortaleza encontra 31 espécies exóticas no fundo do oceano

Cientistas descobrem novas espécies marinhas na costa de Fortaleza

Especialistas encontraram 31 espécies marinhas que podem ser animais nunca antes registrados pela ciência durante uma expedição em águas internacionais. Os pesquisadores ficaram em alto mar durante cerca de 15 dias e aportaram em Fortaleza no início de maio.

Um estudo posterior vai confirmar se as criaturas são novas para a ciência ou se já foram catalogadas, mas um membro da expedição ouvido pelo g1 acredita serem espécies inéditas. Sendo espécie recém-descoberta ou não, o visual diferentão das criaturas chama bastante atenção.

As imagens da expedição revelam características estranhas dos seres marinhos, que possuem tamanhos e cores variados. Um dos registros impressionantes mostra um polvo se alimentando de uma água-viva vermelha brilhante.

Outra imagem mostra uma lula-de-vidro juvenil, uma serpente marinha que utiliza “cílios” brilhosos para se locomover e criaturas transparentes (veja abaixo).Os exploradores estudaram uma zona de difícil acesso do oceano que fica entre a camada iluminada pelo sol e o fundo do mar. A pesquisa foi realizada pelo Schmidt Ocean Institute, dos Estados Unidos, e envolveu o uso de tecnologias avançadas.

Polvo engole água-viva em imagem flagrada durante expedição científica — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

🐙 A lista de descobertas inclui ainda:

Renato Mitsuo Nagata, biólogo do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (IO – FURG) e um dos brasileiros que esteve na expedição, explicou ao g1 que a expedição reuniu pesquisadores de diversas partes do mundo, como Estados Unidos, Austrália, Japão e Índia. Da turma, dois eram brasileiros. A equipe utilizou uma embarcação considerada a “Ferrari” dos navios de pesquisas marítimas, a Falkor, disponibilizada pelo Schmidt Ocean Institute.

Veja como era embarcação utilizada na expedição. — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

Durante os 15 dias a bordo, os pesquisadores puderam coletar e estudar no seu próprio habitat seres potencialmente inéditos e desconhecidos.

“Para de fato provar que é uma espécie diferente, precisa analisar dados moleculares para descrever o DNA dessas espécies, comparar com o que já existe escrito na literatura disponível em bancos de dados, e também analisar a fundo a morfologia dessas espécies para ver se realmente conseguimos definir que são espécies ainda não descritas”, explica Nagata.

Cientistas descobrem novas espécies no mar de Fortaleza. — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

Depois desse processo de análise, que pode durar anos, os cientistas iniciam outra etapa, a publicação de artigos. No entanto, as expectativas para as espécies encontradas nessa última expedição são boas:

Os cientistas ainda estão começando a descrever todos os seres descobertos na viagem, mas a pesquisa revela uma abundância de organismos maior do que a esperada:

“Para mim, foi fantástica a capacidade de exploração de dados que essa expedição pegou. Imagina, 20 anos atrás, pensar que você vai em poucos dias sequenciar o DNA completo de um organismo, algo que nós pudemos fazer graças aos equipamentos que foram utilizados”, comenta Renato.

Cientistas descobrem 31 novas espécies marinhas no mar de Fortaleza; imagens impressionam — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

Cientistas descobrem novas espécies no mar de Fortaleza. — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

A zona explorada durante a expedição, conforme os estudiosos, é considerada uma das mais desafiadoras da terra, devido ao difícil acesso. É uma zona escura, extremamente fria, onde a luz solar não penetra e há muita pressão por causa do volume de água. 🥶

Segundo Renato, a zona pesquisada é chamada de ‘mesopelágica’ e fica entre 200 e 1.000 metros de profundidade. O biólogo comenta que lá é tão frio que, se um ser humano cair por engano, o corpo congela imediatamente, parando todo o metabolismo. Por isso, eles contaram com um submarino remotamente dirigido para acessar a área:

Outro desafio encontrado pelos cientistas era o contato com esses organismos, que geralmente possuem corpos moles e gelatinosos. Por isso, os pesquisadores contaram com uma combinação de análises genéticas e sistemas de imagens.

Lula-de-vidro jovem foi descoberta a 779 metros de profundidade na costa de Fortaleza — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

A tecnologia permitiu, por exemplo, escanear os animais e criar imagens em 3D deles, tornando possível descrever a forma e a estrutura interna de alguns organismos. Em outros casos, os cientistas observaram os seres em ambientes controlados que simulavam o habitat natural.

Outro exemplo do uso da tecnologia avançada durante a expedição é um microscópio especializado que funciona como uma ‘esteira aquática’ para o estudo de micróbios.

Renato lista o conjunto de ferramentas avançadas de exploração, imageamento, genética e experimentação, utilizadas no projeto. Veja:

Sifonóforo foi descoberto a 552 metros de profundidade na costa de Fortaleza-CE — Foto: Schmidt Ocean Institute/Divulgação

Source: G1 Globo

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