Estátua de 11 metros do Diabo é inaugurada no Ceará; entenda o que representa na quimbanda

Uma estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo foi inaugurada em 25 de julho no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, templo localizado na Taíba, em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. A obra, erguida em propriedade privada, foi idealizada e financiada pela líder religiosa que se apresenta como feiticeira, Mãe Rainha das Trevas, e contou com projeto assinado por um engenheiro civil; segundo ela, o investimento superou R$ 100 mil, sem divulgação do tempo de execução. Embora a imagem seja monumental, a figura do Diabo não é central na quimbanda, de acordo com o praticante Roberto Leão, tata desde 2026 e pai de santo na umbanda há 20 anos. Ele afirma que a quimbanda não é uma religião, mas uma prática acessível a pessoas de qualquer fé, estruturada no culto a entidades como exus e pombagiras. Tata é o dirigente ritualista na quimbanda; na linhagem Congo-Angola, o termo significa ‘pai’ ou ‘sacerdote’. No universo banto, ‘kimbanda’ quer dizer curador; em português, ‘quimbanda’ também designa os adeptos dessa prática. Com fundamentos transmitidos pela oralidade, não há um livro sagrado único nem um modo universal de praticá-la. Segundo Leão, passado, presente e futuro são percebidos como simultâneos e, ao acessar exus e pombagiras, o praticante acessa aspectos de si e de sua ancestralidade. Em suas palavras, ‘na minha compreensão particular, o que chamamos de quimbanda é um culto ao morto, então é necromante; a gente cultua os nossos exus e pombagiras, que são os personagens principais’. Para alguns adeptos, a quimbanda busca a cura espiritual para que a reencarnação — vista como um ‘castigo’ que faz reviver experiências boas e ruins da vida carnal — não seja mais necessária; ao alcançar plena cura, a pessoa se tornaria um exu ou uma pombagira, segundo essa crença. ‘Não é uma prática do mal. É uma prática de se curar, de cultuar a ancestralidade e buscar ser uma pessoa mais completa’, afirmou Leão. A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante informou que a obra é regular e seguiu a legislação municipal. A Licença Ambiental e o Alvará de Construção foram emitidos conforme as normas e concedidos após autorização do Governo do Estado. Como o empreendimento está na Área de Proteção Ambiental (APA) das Dunas do Litoral Oeste, houve necessidade de anuência da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA).

Fonte: G1

Source: G1

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