A candidata ao Senado pelo Ceará Luizianne Lins (Rede) afirmou, nesta quarta-feira (16), que sua relação política com Cid Gomes (PSB) começou a se desgastar em 2010, após uma suposta interferência direta de Ciro Gomes (PSDB). A declaração foi dada em entrevista à Verdinha FM.
Luizianne afirmou que mantinha uma parceria com Cid desde 2006, quando ela era prefeita de Fortaleza e ele ocupava o cargo de governador do Ceará. Segundo a candidata, a convivência diária e a aliança política entre os dois foram se desgastando durante as articulações para a escolha dos candidatos à Prefeitura de Fortaleza em 2012.
Ao final dos dois mandatos de Luizianne à frente da Prefeitura de Fortaleza, entre 2005 e 2012, ela indicou Elmano de Freitas como candidato do PT ao cargo. Naquele ano, o grupo político de Cid e Ciro Gomes decidiu apoiar Roberto Cláudio, que venceu a eleição e comandou a capital cearense por dois mandatos, de 2013 a 2020.
De acordo com Luizianne, o período de rompimento com Cid foi marcado por tensões políticas e boatos. Ela afirmou que havia iniciado uma relação “virtuosa” com o então governador após ser procurada por ele, em 2006, e que os dois deram início a um “ciclo progressista” no Ceará.
A candidata também declarou que nunca chegou a estabelecer uma relação política com Ciro Gomes, embora tenha convivido brevemente com ele durante a campanha de Cid ao governo estadual, em 2006. Na ocasião, Luizianne ficou responsável pela campanha de Cid em Fortaleza, enquanto Ciro coordenou as ações em nível estadual.
Atualmente, Luizianne e Cid são candidatos ao Senado na chapa de Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição ao governo do Ceará. Segundo Luizianne, sua inclusão na chapa ocorreu por influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria enviado o ministro José Guimarães ao Ceará para comunicar a indicação de seu nome.
Luizianne afirmou que a escolha representou um reconhecimento de sua trajetória no PT, partido que deixou após 37 anos de militância. Ela também disse que, após a definição, precisou “discutir a relação” com o então governador Camilo Santana (PT) sobre as articulações políticas realizadas nos últimos anos.
A candidata declarou ainda que considera haver “ingratidão” de Ciro em relação a Camilo Santana. Segundo ela, Camilo foi aliado do grupo político de Ciro e teria contrariado o próprio partido ao apoiar Roberto Cláudio e José Sarto nas eleições municipais de Fortaleza.
Luizianne também afirmou que vive um momento de reaproximação com Elmano de Freitas, com quem diz ter construído uma parceria política e pessoal desde a época em que atuavam no movimento estudantil. Ela declarou que nunca rompeu com Elmano, mas passou por um período de “estranhamento” durante as articulações para a candidatura dele ao governo do Ceará.
Durante a entrevista, Luizianne defendeu uma reforma do Poder Judiciário. Ela foi questionada sobre a prerrogativa do Senado de conduzir processos que podem resultar no impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para a candidata, é importante que o Senado mantenha esse mecanismo de controle social entre suas atribuições. Ela ponderou, porém, que a ferramenta deve ser utilizada de forma técnica. Na avaliação dela, setores da extrema-direita pretendem fazer uso político desse instrumento e buscam, em escala mundial, ampliar sua representação no Senado para exercer controle sobre o Judiciário.
Luizianne também defendeu a regulamentação da inteligência artificial generativa e das redes sociais no Brasil. Segundo ela, regulamentar as plataformas não significa estabelecer censura, mas promover mais civilidade nos ambientes virtuais e combater crimes e a disseminação de desinformação.
Fonte: G1
Source: G1

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