O empresário João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos, morreu na terça-feira (18) durante um procedimento estético do tipo lifting em uma clínica no bairro Aldeota, área nobre de Fortaleza. As causas da morte ainda não foram oficialmente determinadas e serão definidas pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce), cujo laudo deve ficar pronto em até 30 dias, segundo o advogado da família.
Natural de Fortaleza, João Victor era casado, pai de dois filhos e proprietário da Casa de Fogos São João, negócio da família há mais de 20 anos, especializado na venda de produtos e na montagem de efeitos pirotécnicos em eventos. A empresa prestou serviços para artistas como Mari Fernandez, Wesley Safadão, Xand Avião e Taty Girl, além de shows de prefeituras e grandes eventos no estado. A Casa de Fogos São João divulgou nota de pesar pela morte do empresário. O velório ocorreu na noite de quarta-feira (19), na capital cearense.
De acordo com documento da Pefoce obtido pelo g1, uma médica informou que o empresário tinha histórico de hipertensão e foi submetido à anestesia para a realização do procedimento. Em seguida, ele apresentou espuma na boca e passou por sete ciclos de manobras de ressuscitação, sem sucesso. O lifting, segundo definição técnica, consiste no reposicionamento de tecidos profundos e músculos da face para correção de flacidez e redução de sinais de envelhecimento. No caso de João Victor, o procedimento seria realizado na região das têmporas. Ainda não está claro se a reação adversa teve relação com o lifting, com a anestesia ou com outro fator.
A clínica onde o procedimento foi realizado, Espaço Michele França, na Aldeota, pertence à cirurgiã-dentista Michele França. Em nota, a defesa do estabelecimento informou que acompanha as investigações e colabora com as autoridades. Declarou ainda que, em respeito à família e às apurações, aguardará o avanço do inquérito, confiante no esclarecimento dos fatos.
O advogado Alysson Castro, que representa a família, disse que o empresário era cliente da clínica há dois anos e já havia realizado outros procedimentos no local. Segundo ele, familiares afirmam que João Victor era saudável e praticava exercícios físicos. O advogado acrescentou que, conforme relatos colhidos na clínica, o local não dispunha de desfibrilador — equipamento usado no atendimento a paradas cardiorrespiratórias. A família informou que acompanhará o inquérito para verificar eventual omissão ou dolo por parte da equipe da clínica e, se confirmado, pedirá responsabilização criminal e reparação cível.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) comunicou que a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte por meio da Delegacia do 2º Distrito Policial e reforçou que apenas o laudo da Pefoce poderá apontar a causa do óbito. O Conselho Regional de Odontologia do Ceará (CRO-CE) lamentou o falecimento e disse não ter sido formalmente notificado. O conselho destacou que a realização de lifting por dentistas é regulamentada, desde que observados requisitos e critérios estabelecidos, e que eventuais procedimentos de fiscalização e apuração ética tramitam sob sigilo.
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Fonte: G1
Source: G1