Cinco toneladas de maconha são apreendias no Ceará. — Foto: Divulgação/SSPDS
Os delegados da Polícia Civil do Ceará (PCCE) Vicente de Paula Rodrigues e Marcos Sandro Nazaré de Lira foram exonerados dos cargos que ocupavam. Eles são alvos de investigação devido à conduta na ocorrência da plantação com 290 mil pés de maconha encontrada em Acopiara.
A apreensão, uma das maiores da história do estado, se tornou alvo de investigação policial após uma denúncia do deputado federal André Fernandes (PL). O parlamentar expôs que o local havia sido abandonado pelos policiais com as drogas ainda lá.
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Vicente de Paula Rodrigues estava como titular da Delegacia da Polícia Civil de Acopiara e Marcos Sandro Nazaré de Lima era delegado seccional da 4° Seccional do Interior Sul. A exoneração retira ambos dos cargos, mas eles não perdem os cargos de policiais civis.
Os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas, que representam a assessoria jurídica da Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol-CE), consideraram a instauração do processo administrativo disciplinar como “completamente precipitada e desarrazoada, tendo em vista que sequer houve procedimento apuratório preliminar para se investigar o fato na sua amplitude e delimitar as responsabilidades, o que denota um açodamento que tem contornos de prejulgamento”.
Na exoneração dos delegados, a Polícia Civil fundamentou a decisão na Lei nº 13.441, de 29 de janeiro de 2004, que dispõe sobre o processo administrativo-disciplinar aplicável aos policiais civis de carreira do Ceará.
Fazenda da maconha: Polícia diz que concluiu incineração e explica plantas enterradas.
A Polícia Civil informou, na última sexta-feira (3), que concluiu a operação de destruição e incineração controlada da plantação de maconha encontrada na fazenda em Acopiara, no interior do Ceará, na quinta-feira (2). Policiais encontraram cerca de 290 mil pés de maconha na propriedade, no dia 25 de junho deste ano, o que se tornou uma das maiores apreensões de drogas da história do estado.
Segundo a Polícia Civil, o material encontrado por André Fernandes são restos da referida plantação e de outras plantas do terreno destruídas.
“Precisa que se entenda que a área era muito extensa, a maconha ainda estava verde. Foram feitos buracos onde, de forma controlada, a equipe do Corpo de Bombeiros orientou que fosse feito esse buraco”, complementou o delegado.
Corpo de Bombeiros queimou maconha encontrada em fazenda de Acopiara, no Ceará. — Foto: SSPDS/Reprodução
A corporação disse ainda que a técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros para incinerar a droga consiste em cavar valas e queimar as plantas com o uso de gasolina e óleo diesel. Em seguida, o material é encoberto com a terra evitando dessa forma que o fogo se alastre para a vegetação ao redor.
A Polícia Civil disse que a finalização da ação teve o acompanhamento de servidores da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE), da Vigilância Sanitária, do Ministério Público do Ceará e da Guarda Municipal.
Conforme a legislação brasileira, nestes tipos de apreensão, a droga deve ser incinerada. No início da semana, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou o local e afirmou que a Polícia Civil iria permanecer no local até destruir toda plantação.
André Fernandes volta a ‘fazenda da maconha’ e diz que encontrou droga enterrada
Na última semana, a apreensão, anunciada como uma das maiores da história do estado, se tornou o centro de uma polêmica e alvo de uma investigação policial após uma denúncia do deputado André Fernandes de que o local – ainda com as drogas ensacadas e os pés de maconha plantados – havia sido abandonado pelos policiais.
Na nova denúncia publicada nesta sexta (3), André conta ter ido à fazenda na noite da quinta-feira (2) e não ter encontrado nenhum policial no local. Na sequência, ele escavou uma área do terreno e encontrou os pés de maconha enterrados. Ele tentou chamar um trator para escavar outras áreas, mas foi interrompido por uma equipe da Polícia Civil que chegou ao local durante a gravação do vídeo.
O g1 também procurou a Casa Civil do Governo do Ceará para comentar o novo questionamento do deputado federal ao governador Elmano de Freitas. A reportagem será atualizada quando houver resposta.
📍Conforme a legislação brasileira, drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante (isto é, sem ninguém ter sido preso com elas ) devem ser destruídas por incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da data da apreensão. A legislação também determina a delimitação do local, “asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova”.
O deputado apontou ainda que só escavou um pedaço do terreno, mas que haveria mais drogas enterradas no restante da área. Toda a área foi revolvida por tratores da Superintendência de Obras Públicas (SOP), que estavam ajudando nos trabalhos policiais.
Fazenda da maconha: André Fernandes volta ao local e encontra droga enterrada dias após visita do governador — Foto: Reprodução
A droga foi descoberta durante uma operação da Polícia Civil realizada no dia 25 de junho em Acopiara, no interior do Ceará. No dia 27, André Fernandes denunciou que a área havia sido deixada sem custódia, ainda com a droga e outras provas. O deputado visitou o local e mostrou que a maior parte da plantação seguia no local, bem como parte da droga já colhida, e outras provas.
Dois dias depois da denúncia, no dia 29, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda acompanhado dos chefes das forças de segurança estaduais, enquanto tratores aparentemente faziam a limpeza do terreno. O governador disse que a plantação seria destruída. “Nós vamos apurar absolutamente tudo. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, afirmou Elmano.
O Partido Liberal (PL) informou que vai acionar o Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) requerendo “a apuração dos novos fatos, a preservação das provas, a identificação de todos os agentes públicos envolvidos e a apresentação da íntegra dos documentos oficiais relativos à operação”.
O partido informou ainda que vai avaliar a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra o governo estadual, “caso as investigações confirmem que agentes públicos, no exercício de suas funções, deliberadamente deixaram de observar os deveres legais e funcionais impostos pela legislação”.
Após a denúncia de André Fernandes, no fim de junho, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que iria investigar a denúncia de “falha nos procedimentos na custódia”. A pasta quer saber o motivo da droga ter sido mantida na área com os pés de maconha ainda plantados, sem segurança para preservar o local.
Mais tarde, a Polícia Civil informou que a fazenda havia sido arrendada e já tinha identificado dono e arrendatário. No dia 2 de julho, o proprietário João Holanda Neto, foi preso temporariamente, enquanto familiares afirmavam que o verdadeiro responsável pela droga é Cristiano Rodrigues de Lima, o homem que arrendou a área em 2025. João Holanda foi solto nesta sexta (3). Cristiano está foragido.
Acampamento no Ceará continha toneladas de maconha e estrutura de trabalho
Quando a operação foi deflagrada, no dia 25 de junho, a Polícia Civil informou ter descoberta a área de plantio e também um acampamento usados pelos suspeitos, que fugiram com a chegada dos policiais. Em um dos pontos, os agentes acharam até feijão cozinhando em uma panela, o que indicava que a saída dos criminosos era recente.
Na ocasião, os agentes localizaram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando uma estimativa de 290 mil pés da droga, com cerca de 5 toneladas do entorpecente.
A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) – órgão responsável por apurar e investigar desvios de conduta de agentes de segurança pública – abriu uma investigação para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio onde a plantação de maconha estava sendo cultivada.
Por meio de nota, o Ministério Público do Ceará (MPCE) informou que acompanha as investigações por meio do Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (Gaesp) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), “que atuam de forma integrada para assegurar a devida apuração dos fatos”.
Na manhã do dia 29 de junho, André Fernandes informou que protocolou a denúncia sobre a plantação de maconha na Polícia Federal. Ao ser procurada pelo g1, a PF informou que “não comenta investigação em andamento”.
No dia 29 de junho, quando visitou a fazenda, o governador Elmano de Freitas questionou as falas do deputado federal André Fernandes no vídeo publicado nas redes sociais, no qual o parlamentar indagou o porquê da droga ter sido abandonada no local, sugerindo que a operação foi interrompida.
Elmano visita área de apreensão de maconha após denúncia de falha em operação em Acopiara
Em resposta, Elmano afirmou que o deputado deveria prestar depoimento à Polícia para apresentar o nome do suposto indivíduo que interferiu na operação.
O g1 procurou o deputado, por meio de sua assessoria, para comentar o pedido do governador. A reportagem será atualizada quando houver resposta.
Elmano visita área de apreensão de maconha após denúncia de falha em operação; tratores aparecem ao fundo — Foto: Reprodução
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Source: G1 Globo