Começa nesta segunda-feira (13) o júri popular de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, 26 anos, acusado de matar a enfermeira Clarissa Costa Gomes em Fortaleza, em julho de 2025. Ele responde por feminicídio com qualificadoras de motivo torpe — por supostamente não aceitar o término do relacionamento —, uso de meio cruel e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE).
Segundo a investigação, o crime ocorreu na casa onde Clarissa morava com a mãe, no bairro Jardim Cearense. No momento do crime, ela estava sozinha com o então companheiro. Antes de ser morta, enviou uma mensagem de “SOS” para uma amiga, que inicialmente pensou se tratar de assunto relacionado a uma reunião de trabalho realizada minutos antes.
De acordo com depoimentos, Clarissa e Matheus se conheceram na igreja e estavam juntos desde outubro de 2023. Amigas relataram à polícia que, nos meses anteriores ao crime, a enfermeira pensava em encerrar o relacionamento. Familiares, amigos e o MP suspeitam que ela tenha tentado terminar o namoro no dia do fato, hipótese que não teria sido aceita pelo acusado.
Ainda conforme a denúncia, o casal chegou à residência por volta das 13h30 de 9 de julho. Às 14h, Clarissa participou de uma reunião virtual sem ligar câmera ou microfone, comunicando-se por escrito. Por volta de 15h, enviou a mensagem de “SOS” à amiga que também estava na reunião. Cerca de 20 minutos depois, vizinhos ouviram pedidos de socorro e ruídos de pancadas. O MP afirma que o réu utilizou uma faca da casa para golpear a vítima 34 vezes; em seguida, ele teria tomado banho, trocado de roupa e deixado o imóvel por volta de 15h30.
Testemunhas relataram ter visto Matheus sair, deixando o portão externo aberto, enquanto o portão interno permaneceu trancado. Em seguida, o irmão do acusado chegou ao local com a chave que, segundo relatos, havia sido levada por Matheus. Ao entrar na casa, vizinhos encontraram sangue em diversos cômodos e acionaram o Samu e a Polícia. A morte foi constatada no local. O suspeito foi preso preventivamente na noite do mesmo dia, na saída do condomínio onde mora sua mãe.
Em depoimento à Polícia Civil, Matheus primeiro negou ter se encontrado com Clarissa no dia do crime e, depois, disse não lembrar do que ocorreu.
Relatos de amigas apontam que Matheus foi o primeiro namorado de Clarissa e que ela tornou privadas suas redes sociais diante de episódios de ciúmes. Elas também descreveram desgaste na relação, associado à ociosidade e a episódios de grosseria do acusado. Matheus tem formação técnica em gestão ambiental pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), mas, segundo os depoimentos, não trabalhava na área. Ele teria sido demitido de um emprego em um hospital particular, indicado por Clarissa, por mau atendimento aos clientes; chegou a atuar como motorista de aplicativo em uma moto, depois vendida; e foi contratado por uma empresa de energia solar, com faltas recorrentes. “Ele vive faltando esse emprego dele de experiência, tipo agora faz três dias seguidos que ele falta o trabalho. Não fala comigo mas eu tenho que ficar buscando ele [de carro], aí eu fico brigando, me desgastando”, disse Clarissa, em mensagem enviada a uma amiga.
Clarissa Costa Gomes tinha 31 anos, era formada em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e trabalhava nos hospitais públicos Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e Hospital Dr. César Cals. Especialista em neonatologia, ela se preparava para iniciar atividades no Hospital Universitário do Ceará (HUC) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC).
Amigos e colegas descreveram Clarissa como estudiosa, correta e amável. “Ela sempre foi estudiosa, correta e muito pacata. Moça inteligente, simpática e amável”, disse um amigo. Uma colega do Hospital Dr. César Cals afirmou que a equipe ficou em choque: “Ela era uma pessoa tranquila, acolhedora, de convivência muito leve. Profissional dedicada, comprometida, inteligente e competente. Reservada, jamais imaginávamos que algo do tipo poderia acontecer com ela”.
O MPCE pediu que o caso fosse submetido a júri popular e sustenta as qualificadoras de motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O réu segue preso preventivamente e será julgado por feminicídio qualificado.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo

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