Com distintivos e ordem falsa, trio faz família refém em salão na Aldeota e exige Pix de R$ 500 mil; um é preso

A Polícia Civil prendeu, na terça-feira (12), em Fortaleza, Roberto de Sousa Lima, de 55 anos, suspeito de integrar um trio que se passou por policiais civis, manteve uma família refém e exigiu um Pix de R$ 500 mil. O crime ocorreu na segunda-feira (11), em um salão de beleza da família na Rua Osvaldo Cruz, no Bairro Aldeota, e parte da ação foi registrada por câmera de segurança.

Segundo o auto de prisão, Roberto foi ao estabelecimento acompanhado de dois comparsas. Os três se apresentaram como policiais civis, usavam distintivos no pescoço e exibiram um documento que simulava uma ordem judicial. No local, afirmaram às vítimas que a família era alvo de investigação por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e estelionato.

Mediante grave ameaça com uma arma de fogo — posteriormente identificada como simulacro —, o grupo exigiu o pagamento de R$ 500 mil para que os proprietários e seus filhos não fossem presos. Diante da impossibilidade de arcar com o valor, as vítimas foram coagidas a entregar R$ 60 mil até o fim do mês. Os suspeitos ainda obrigaram o casal de empresários a abrir aplicativos bancários e realizaram uma transferência via Pix de R$ 2.500. Um dos infratores retirou, em seguida, a mesma quantia em espécie da bolsa da mulher. Antes de deixar o local, o trio subtraiu o equipamento de armazenamento das imagens das câmeras de segurança do salão.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), identificaram o carro usado pelos suspeitos, que pertencia a Roberto. Na residência dele, foram apreendidos o veículo, uma pistola falsa, dois distintivos com as inscrições “Polícia” e “Ceará”, além do equipamento de gravação das câmeras do estabelecimento das vítimas.

Roberto foi preso e autuado em flagrante por extorsão qualificada com restrição de liberdade. Os dois comparsas seguem sendo procurados. Na audiência de custódia, realizada na quarta-feira (13), a defesa solicitou liberdade com medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico, mas a Justiça decretou a prisão preventiva. Na decisão, o juiz destacou a gravidade da conduta, o uso de simulacro para intimidar as vítimas e a exigência de quantia vultosa, além da ameaça de prender os filhos do casal, incluindo uma adolescente de 15 anos, o que revelaria desprezo por limites éticos, jurídicos e humanos mínimos. O magistrado também apontou indícios de premeditação, com monitoramento prévio e conhecimento detalhado da rotina das vítimas, de seus dados pessoais, registros fotográficos e aspectos da vida privada e familiar, como eventos e compromissos cotidianos.

Fonte: G1 Globo

Source: G1 Globo

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