Um ataque cibernético desviou R$ 2,7 milhões das contas da Prefeitura de Senador Pompeu, no interior do Ceará, entre a noite de 21 e a madrugada de 22 de julho. O caso foi tornado público nesta quarta-feira (26), em nota divulgada nas redes sociais do município.
Segundo a gestão municipal, criminosos contataram servidores por e-mail e telefone, se passando por funcionários de instituições bancárias. Um dos envolvidos se identificou como representante da Caixa Econômica Federal e orientou a tesouraria a executar procedimentos de uma suposta “atualização de sistema” do Gerenciador Financeiro. Durante as instruções por telefone, foi habilitado acesso remoto ao computador de trabalho da tesouraria, o que permitiu a realização das transações não autorizadas. A prefeitura afirma que não houve entrega voluntária de senhas ou repasse direto de credenciais sigilosas.
Os criminosos também tentaram desviar R$ 419 mil de contas no Banco do Brasil, mas as transferências foram bloqueadas pelo sistema da instituição. As movimentações irregulares atingiram contas vinculadas a repasses de IPVA, ICMS, Transporte Escolar, Estradas, Fundo Municipal da Criança e do Adolescente e contas específicas de convênios. Apesar do prejuízo, a prefeitura informou que todos os serviços públicos e atividades municipais seguem em funcionamento.
Ao identificar o golpe, a gestão registrou boletim de ocorrência, comunicou os bancos e solicitou a contestação das transferências. Também protocolou notícia-crime por meio da Procuradoria-Geral do Município, trocou todas as senhas, encaminhou equipamentos eletrônicos para perícia e os servidores envolvidos prestaram depoimento à polícia.
A Polícia Civil investiga o caso como estelionato digital por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos e informou que novos detalhes serão divulgados oportunamente para não prejudicar as apurações.
Procurada, a Caixa Econômica Federal afirmou, em nota, que atendeu a prefeitura e adotou as providências cabíveis para apurar o caso. A instituição destacou que, em situações de movimentação não reconhecida, é possível registrar pedido de contestação nas agências, e que as ocorrências são analisadas por equipes especializadas, observados os procedimentos de segurança e sigilo bancário. Segundo o banco, as informações sobre casos são sigilosas e compartilhadas com a Polícia Federal e outros órgãos competentes, e o resultado da análise é informado ao titular da conta. A Caixa disse ainda monitorar continuamente produtos, serviços e transações para identificar fraudes, manter políticas e tecnologias de proteção de dados e promover ações de orientação sobre segurança digital. Para entes públicos, há uma cartilha com recomendações aos gestores municipais disponível em: https://www.caixa.gov.br/Downloads/seguranca/Cartilha-seguranca-prefeitura.pdf.
Fonte: G1 Globo
Source: G1 Globo









