O candidato ao Senado pelo Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu a proibição das apostas online e a ampliação do papel da Polícia Federal no enfrentamento às facções criminosas, em entrevista ao Bom Dia Ceará na manhã desta segunda-feira (31). O ex-governador também apoiou o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho.
Cid afirmou que a União deve liderar o combate ao crime organizado e citou a PEC da Segurança Pública, prevista para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta semana. Se aprovada, a proposta permitirá a criação, pelo presidente Lula, de um Ministério da Segurança Pública e a atuação direta da Polícia Federal nos estados. “O Senado, nessa semana agora, vai apreciar uma matéria que vai permitir a União fazer isso. E o presidente Lula assumiu um compromisso de, aprovada a matéria, imediatamente ele criar um Ministério Exclusivo para a Segurança Pública e criar um programa que seja centrado no combate às facções criminosas no Brasil e, obviamente, presente no Ceará”, disse. Para ele, além de operações em campo, é essencial reforçar a inteligência policial, com foco no rastreamento de movimentações financeiras e na identificação de atividades ilícitas das organizações.
Sobre apostas, o candidato se declarou favorável à proibição. “Meu pensamento é no sentido de proibir [as bets]. Tem causado mal terrível, tem mexido no orçamento familiar. É uma ilusão que se cria nas pessoas. Hoje sou a favor de proibir o uso dessa coisa nociva para a economia e saúde das famílias”, afirmou. Segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, as apostas online retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025. “Você ser bem remunerado não vai ser através de uma aposta. Pode ter certeza que as estatísticas, as probabilidades, vão remunerar bem o dono da bet. Você não vai ganhar dinheiro, não vai viver melhor com isso não”, completou.
Ao tratar da jornada de trabalho, Cid apoiou o fim da escala 6×1, prevista em PEC que tramita no Senado. Ele disse que o Estado deve mediar eventuais impactos sobre os empregadores, por meio de redução tributária ou incentivos a financiamentos para modernização. “Para que o empreendedor possa continuar sendo empreendedor e gerando os empregos. Senão, se ele quebra, o grande prejudicado, no final das contas, vai ser o trabalhador. Por outro lado, se a gente entender que vai se precisar contratar mais gente para suprir essas horas, isso significa um incremento na economia e você cria o círculo virtuoso”, argumentou.
Nascido em Sobral, Cid Ferreira Gomes é engenheiro civil. Atuou no movimento estudantil na Universidade Federal do Ceará (UFC), foi deputado estadual por dois mandatos, ocupou a Prefeitura de Sobral entre 1997 e 2004 e governou o Ceará de 2007 a 2014. Em 2015, foi ministro da Educação no governo de Dilma Rousseff. Eleito senador em 2018, busca a reeleição. Enquanto Cid concorre ao Senado na chapa de Elmano de Freitas (PT), seu irmão, Ciro Gomes, tenta voltar ao cargo de governador do Ceará em um grupo político de oposição; a rixa entre os irmãos tornou-se pública em 2022, após o rompimento da aliança de 16 anos entre PT e PDT no estado.
O Senado é composto por 81 parlamentares, três por estado. Duas das três vagas do Ceará serão renovadas neste ano. Os senadores têm mandato de oito anos, participam da criação e aprovação de leis, discutem temas como segurança, saúde, educação e emprego, analisam mudanças na Constituição e votam indicações de autoridades, como ministros do Supremo Tribunal Federal, embaixadores e diretores do Banco Central. Também julgam o presidente da República em casos de crimes de responsabilidade e aprovam operações financeiras da União, estados e municípios.
O Bom Dia Ceará entrevista, ao longo da semana, candidatos ao Senado pelo estado.
Fonte: G1
Source: G1